O retorno dos exilados

TEXTO-BASE

Esta é a lista dos homens da província que Nabucodonosor, rei da Babilônia que tinha levado prisioneiros para a Babilônia. Eles voltaram para Jerusalém e Judá, cada um para a sua própria cidade. (Ed 2:1 – NVI)

INTRODUÇÃO 

O estudo de hoje não poderia ser mais oportuno. Sempre que um novo ano se aproxima, criam-se também grandes expectativas para o futuro, as quais envolvem, muitas vezes, um recomeço. Este estudo mostra o início de uma nova época na vida dos judeus, após ficarem exilados setenta anos na Babilônia. Agora, foi-lhes dada permissão para voltar a Jerusalém e, lá, recomeçar a vida. O modo como ocorreu esse retorno é o que abordaremos nesse estudo, analisando o trecho de Esdras 1:1 a 2:70. 


I. FATOS PARA RELEMBRAR

Após os babilônios invadirem e destruírem a cidade de Jerusalém e o templo, entre os anos 606 a.C. a 586 a.C., muitos judeus foram levados cativos para Babilônia. Eles ficaram impedidos de retornar à sua pátria até o tempo em que Ciro, rei dos persas, tomou o poder. Ciro promulgou um decreto que autorizava os judeus a retornarem à Jerusalém. Vejamos alguns aspectos do retorno dos exilados. 

1. A promessa do retorno: O livro de Esdras inicia com a narração do decreto de Ciro, que permitia o retorno dos exilados para Jerusalém. Ele mandou redigir uma proclamação e divulgá-la em todo o seu reino (Ed 1:1). Contudo, o livro também deixava claro que a promulgação desse decreto era o cumprimento de uma promessa que Deus havia feito: […] a fim de que se cumprisse a palavra do SENHOR falada por Jeremias… (Ed 1:1).

Pela boca do profeta Jeremias, Deus revelou que o cativeiro se estenderia por 70 anos e que, ao final desse tempo, ele os levaria de volta ao seu país (Jr 29:10). O profeta Isaías trouxe, em sua profecia, o prenúncio de que Ciro, o rei persa, seria o responsável por decretar acerca de Jerusalém: Seja reconstruída, e do templo: Sejam lançados os seus alicerces (Is 44:28).

Tanto a profecia de Jeremias sobre o tempo do exílio, quanto o prenúncio de Isaías sobre o seu retorno, são provas irrefutáveis da fidelidade de Deus às suas promessas. O que prometeu cumpriu; o que prenunciou aconteceu. Deus foi fiel à sua aliança que havia firmado com Abraão, Isaque e Jacó (Gn 12:1-3), apesar dos pecados de Israel. Sim, Deus é fiel à sua Palavra! 

2. A provisão no retorno: Deus usou o rei Ciro não somente para cumprir a sua promessa de propiciar aos israelitas o retorno a Jerusalém, mas também, para garantir-lhes provisão na viagem. Aos que permaneceram na Babilônia, o decreto estimulou as ofertas e o financiamento das despesas da viagem e da restauração do templo. O Senhor estava conduzindo e sustentando o seu povo nessa empreitada.

Desse modo, houve provisão divina para o povo de Deus: Todos os seus vizinhos os ajudaram, trazendo-lhes utensílios de prata e de ouro, bens, animais e presentes valiosos, além de todas as ofertas voluntárias que fizeram (Ed 1:6). Contando com a ajuda dos seus vizinhos gentios, os israelitas agora tinham o necessário para sobreviver durante o percurso até sua pátria. 

Houve, também, provisão divina para a obra de Deus. O rei Ciro ordenou que fossem devolvidos os utensílios pertencentes ao templo do SENHOR, os quais Nabucodonosor tinha levado de Jerusalém… (v.7). Além disso, alguns chefes das famílias deram ofertas voluntárias para a reconstrução do templo de Deus… (2:68). Aqueles que foram abençoados pelo Deus da obra resolveram, com alegria e gratidão, abençoar a obra de Deus. Que belo exemplo para nós!

3. O propósito do retorno: Esse é o primeiro retorno dos exilados. A liderança desse empreendimento ficou a cargo do governador Zorobabel e contou com o número aproximado de 50 mil pessoas (Ed 2:64). O propósito da jornada a Jerusalém é descrito no decreto de Ciro: Qualquer do seu povo que esteja entre vocês, que o seu Deus esteja com ele, e que vá a Jerusalém de Judá reconstruir o templo do SENHOR (Ed 1:3).

No processo de recomeço do povo de Deus em sua pátria, a reconstrução do templo era fundamental, pois ele não apenas simbolizava a presença e a centralidade de Deus no seio da nação, mas também, o estímulo à adoração exclusiva a ele (Sl 11:4). É óbvio que os judeus também foram a Jerusalém com o objetivo de se estabelecer, cada qual em sua cidade (Ed 2:1), mas com o apoio de Ciro, eles estavam obstinados a dar o pontapé inicial à reconstrução da casa de Deus.

Segundo Henry, o rei persa, por sua vez, estava tão focado em fazer a vontade divina que, ao permitir que os judeus retornassem a Jerusalém para reconstruir o templo, ignorou duas situações: os interesses seculares do seu governo, pois o seu decreto o faria perder um número elevado de homens úteis – sua mão de obra; e a honra da religião do seu país, pois ele poderia dar ordens para que edificassem um templo aos deuses da Babilônia ou da Pérsia, mas não o fez. De qualquer maneira, o propósito de Deus foi cumprido. 

4. O desafio do retorno: Após permissão concedida pelo decreto de Ciro, os israelitas fizeram a viagem da Babilônia a Jerusalém (Ed 2:1). Embora o texto não nos dê detalhes sobre como foi essa viagem, sabemos que não foi algo fácil. Estamos falando do percurso de 1.440 quilômetros até Jerusalém e cerca de quatro meses de viagem, realizado por um grupo de, aproximadamente, 50 mil pessoas. Foi uma espécie de um novo Êxodo.

Os que se colocaram nesta jornada estavam prontos para recomeçar a vida. Contudo, não podemos esquecer que esse retorno envolveu uma liderança disposta: Então os líderes das famílias de Judá e de Benjamim, como também os sacerdotes […], dispuseram-se a ir para Jerusalém… (Ed 1:5). Esses líderes das famílias de Judá foram despertados por Deus para conduzirem o povo a Jerusalém. Eles se colocaram como exemplo para os demais. Assim, fica-nos a lição: “se uma boa obra precisa ser feita, que os ministros sirvam de exemplo”. 

Os líderes estavam dispostos – apesar da tentação de ficar na Babilônia – pois estavam bem instalados lá – mas teriam que sair da zona de conforto e enfrentar um longo percurso com esposas e filhos. Possivelmente, ficaram desmotivados com a viagem. Sua própria terra era estranha para eles e a estrada era desconhecida e perigosa. Mas Deus lhes deu ânimo para executar o plano do retorno. Essa realização também envolveu um povo organizado. Os israelitas registraram que haviam retornado do exílio (Ed 2:2-61). 

A organização desses registros era necessária para que se pudesse provar a ascendência dos envolvidos. Os judeus que regressavam a Judá não poderiam voltar a tomar posse dos bens de sua família, a menos que comprovassem sua linhagem. Aqueles que não conseguiram comprovar sua linhagem sacerdotal, foram impedidos de exercer o sacerdócio (Ed 2:61-62). A seguir, veremos duas importantes aplicações com base no que aprendemos até aqui. 

01. De que maneira se cumpriu a promessa divina acerca do retorno dos israelitas do cativeiro babilônico? Responda com base em Ed 1:1 e no item 01. 

02. Como o Senhor conduziu e sustentou o seu povo na jornada para Jerusalém? Para responder baseie-se em Ed 1:6,7 e no item 2. 

03. Após ler Ed 1:3 e o item 3, responda: Com que propósito o rei Ciro permitiu o retorno dos exilados? 

04. O que você sabe sobre esta viagem da Babilônia a Jerusalém? Por que foi um desafio o retorno do exílio? Comente com base em Ed 1:5; 2:1 e no item 4.


II. LIÇÕES PARA PRATICAR

1. Diante da promessa divina, supere a dúvida. 

Deus prometeu, por meio dos seus profetas, que o exílio babilônico chegaria ao fim após um período de 70 anos. Ele garantiu que, ao cumprir esse tempo, o seu povo teria a chance de retornar à sua pátria, a cidade de Jerusalém, que havia sido devastada pelo poder do império de Nabucodonosor (Jr 29:10; Is 44:28). Deus prometeu e cumpriu. Ciro decretou e quase 50 mil judeus retornaram à sua terra natal. 

Todas as palavras de Deus são fiéis e verdadeiras, de modo que a sua fidelidade estende-se de geração a geração (Sl 119:90). Ele jamais faltaria com a verdade. O que ele promete, cumpre. Portanto, não duvide, ainda que os ventos sejam contrários. O retorno dos exilados é uma proclamação da fidelidade divina. Creia nisso! Supere a dúvida. 

05. Por que é importante não duvidarmos da fidelidade de Deus? Responda com base na primeira aplicação. 

2. Diante do propósito divino, supere o desânimo. 

Deus designou o rei Ciro para permitir aos judeus retornarem a Jerusalém e reconstruírem o templo (Ed 1:2). Após a divulgação do decreto real, os líderes do povo judeu se dispuseram à jornada (v.5), mesmo diante dos desafios de ter que deixar um lugar em que estavam estabelecidos e percorrer uma estrada desconhecida. 

Não seria fácil cumprir o propósito divino naquele contexto, mas os líderes e os liderados o fizeram. Sem se deixar levar pelo desânimo, eles permitiram ser despertados por Deus (v.5). Por mais que, em algum momento da sua vida cristã, você se depare com um grande desafio proposto por Deus, não desanime. Disponha-se a realizá-lo. Diga: “Eis-me aqui”. 

06. Você já se deparou com um grande desafio que lhe exigiu ânimo para superá-lo? Se puder, compartilhe essa experiência com a classe. 


DESAFIO DA SEMANA

Chegamos ao fim do estudo de hoje e vimos que, ao retornar do exílio, o povo judeu contou com o auxílio de Deus. Como desafio para esta semana, releia os dois primeiros capítulos do livro de Esdras e faça uma reflexão sobre o que você aprendeu na lição de hoje. Além disso, busque maneiras de aplicar esse ensino à sua vida no dia a dia. 

By: Igreja Adventista da Promessa Tags:

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